Ricardo Oliveira
Nutricionista
O chá verde e o chá preto provêm da mesma planta, a CAMELLIA sinensis. A única diferença está no processo de tratamento das folhas. No caso do chá preto ocorre a fermentação das folhas, o que lhe confere uma cor característica, enquanto que no chá verde não há fermentação. Como resultam ambos da mesma planta, seria de supor que tivessem o mesmo teor de substâncias activas. No entanto as diferenças fazem-se notar especialmente em relação às catequinas (potente antioxidante): no chá verde são 90%, e no chá preto apenas 30%.
Estas substâncias mostraram ter efeitos antioxidantes superiores a outras como a genisteína da soja, a hesperitina dos citrinos, a quercetina da cebola, o revesterol da uva preta e vinho tinto. Como alimento, o chá verde, superou as expectativas em relação a outros alimentos como o sumo de tomate, o sumo de laranja, o sumo de cenoura, o vinho tinto, o sumo de maçã e naturalmente o chá preto. A riqueza em polifenóis numa única chávena de chá verde, dependendo da sua concentração, ultrapassa o efeito antioxidante de um sumo de fruta. Peço atenção ao leitor mais entusiasta para não confundir o efeito antioxidante do chá verde com outros nutrientes essenciais presentes na fruta.
Para os bebedores regulares do chá verde, essencialmente populações orientais, verificou-se uma menor incidência de doenças cancerígenas em relação aos não bebedores. Este fenómeno deve-se ao efeito antioxidante dos compostos polifenólicos no chá verde que nos protegem contra carcinogéneos que se encontram nos alimentos e no meio ambiente. Ao nível das doenças cardiovasculares, o consumo de chá verde previne a oxidação do colesterol, o que permite que seja retardada a formação de placas de ateroma nos vasos sanguíneos.
Os efeitos benéficos do consumo regular de chá verde são a redução do colesterol total e triglicéridos, aumento do HDL-colesterol «bom colesterol», diminuição do LDL-colesterol «mau colesterol», excelente diurético e indutor de gastos energéticos, bactericida e inibidor da bactéria cariogénica Streptococcus mutans e retarda o envelhecimento da pele.
Não se esqueça que a ingestão de antioxidantes deve ser feita através de um conjunto de alimentos ricos em antioxidantes, por exemplo: vitamina A e carotenóides (cenouras, espinafres, mangas, brócolos e folhas verde escuras); vitamina C (citrinos, quivis, couve roxa e pimentos); vitamina E (óleos vegetais, óleo de gérmen de trigo, azeite e cereais integrais); zinco (amêndoas, nozes, trigo integral, feijão, ervilhas, peixe e gema de ovo); selénio (gérmen de trigo, o alho, cereais integrais); bioflavonóides (uvas pretas, mirtilos, groselhas).